Descobrindo um pouco mais a cada dia

A conversa de hoje com a minha pequena foi a mais esclarecedora. Aos poucos, ela vai juntando as pecinhas, o assunto não a assusta e ela se aproxima da verdade sem um choque de realidade.

Mais uma vez, o tema “como os bebês nascem” veio à tona. Desta vez, porque ela pegou um livro na biblioteca da escola que conta sobre a origem dos bebês.

Ouvir aquela história, imaginar como as coisas acontecem, ver o óvulo e o espermatozóide desenhados e o como se encontram gerou um misto de satisfação por saber mais e uma necessidade de acomodar aquele novo conhecimento.

Incluir os órgãos genitais na conversa ainda parece cedo, porque ela ainda está descobrindo o dela. Então, quando o livro traz a ideia do “ficar abraçado”, a tal sementinha, enfim, se aproxima mais do seu destino. Ufa, que alívio, uma lacuna a menos na informação! Ao mesmo tempo, gera um conflito com aquilo que minha filha havia construído em sua cabecinha como imagem: casal indo ao médico, para que ele ligue a semente à barriga.

Daí vem a conversa:

– Mamãe, é verdade aquilo que o livro que a gente leu ontem falou, que os pais ficam abraçadinhos para a sementinha entrar no ovo? Ou os pais têm que ir ao médico para o médico colocar a sementinha do pai na mãe para o filho nascer?

– É verdade, filha. Normalmente não precisa do médico. O pai põe a sementinha na mãe em casa.

– Oba! Então, quando eu estiver na escola e você for fazer meu irmãozinho, eu vou querer que você faça um livro, porque eu quero saber como é, quero ver!

– Mas não é quando você está na escola. Normalmente é de noite, quando os pais vão dormir. É por isso que os pais têm que dormir na mesma cama e os filhos podem dormir separados.

– Ah, que legal! Então você pede pro papai colocar hoje uma sementinha para o meu irmãozinho nascer?

– Bom, não é bem assim. Não é sempre que o ovinho está pronto. Sabe quando a mamãe menstrua? Então, é porque não deu para colocar.

– Tá, então quando der você me conta.

Pronto! Mais um passinho foi dado!! Prova disso foi a fala final, antes de minha pequena me dar boa noite:

– Hoje é o dia mais legal! Essa foi a noite que eu mais gostei!

Não sei se este é o caminho, nem se há um. O que sei é que não mentir, não negar a informação, mas dosá-la de acordo com a leitura que fazemos do momento e com o que ela traz como questionamento têm sido importante e têm propiciado momentos especiais de descoberta. Tanto para minha filha como para mim como mãe!

Mariana Tambara

Sobre dotamanhodeumbotao

Mariana Tambara. Professora, pedagoga, esposa, mãe, mulher... nesta ordem e em outras também, com vontade de pensar, falar, discutir, entender, questionar, criticar educação. Convido todos os visitantes a fazer o mesmo. Vamos?
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2 respostas para Descobrindo um pouco mais a cada dia

  1. Luciana disse:

    Mari, que ótimo ler seus passos como mãe não ocultando respostas nem inculcando tabus em sua pequena! Adiante, pois a jornada é longa e ainda surgirão muitas outras perguntas! Parabéns!

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