Existe certo e errado em uma língua?

Na semana passada, um assunto muito discutido foi sobre um livro didático, distribuído nas escolas públicas, que afirma que não há certo e errado em relação à linguagem.

Tudo isso começou há pouco mais de uma semana, quando a Rede Globo exibiu uma matéria tendenciosa, apontando o caso como um problema, como uma banalização da linguagem formal, sem apresentar qual era de fato a intenção do material, ou elementos que possibilitassem uma real análise ou reflexão sobre o fato.

Alexandre Garcia “recita” seu texto condenando a decisão do Governo em distribuir esses livros, alegando que isso afasta as pessoas da possibilidade de conhecer a língua, de ter acesso à linguagem formal. No entanto, ignora que, a escola, ensinado a linguagem padrão como sendo a certa, distancia a maioria de seus alunos de qualquer identificação com o conteúdo estudado e dá a eles uma menor possibilidade de reflexão e compreensão da importância (ou não) de “aprender a língua”.

Quando chegamos em sala e dizemos que vamos ensinar o certo, afirmamos, por trás disso, que o aluno não sabe, que o que ele tem como referência não necessariamente é válido. O mesmo ocorre em relação à língua, ao introduzir conteúdos sobre a linguagem dita padrão, estamos dizendo que a forma como ele fala é errado.

Acabamos sempre por olhar pelo lado do mais forte, de quem “detém o poder”. Agora, se partirmos do olhar do aluno, do sujeito que chega na escola com suas referências vindas de sua famílias, grupos culturais, qual a possibilidade de  identidade ou de pertença, quando toda sua bagagem é ignorada e lhe é afirmado que o que aprendeu até ali não serve, não é válido, não é real?

Esse material didático, segundo outras fontes (que não o Bom Dia Brasil) e como é possível notar se se conhece um pouco a respeito de estudos na área, nada mais é do que fruto de discussões em Linguística. Marcos Bagno já tratou do assunto em seu livro Preconceito Linguístico, escrito em 1999.

Abaixo, segue o vídeo da entrevista com os escritores Marcelino Freire e Cristovão Tezza, no programa “Entre aspas”, apresentado por Mônica Waldvogel na GloboNews, que ironizam o olhar preconceituoso da elite social e que é reproduzido nos telejornais:

Marina Tambara

Sobre dotamanhodeumbotao

Mariana Tambara. Professora, pedagoga, esposa, mãe, mulher... nesta ordem e em outras também, com vontade de pensar, falar, discutir, entender, questionar, criticar educação. Convido todos os visitantes a fazer o mesmo. Vamos?
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